Uso das Aspas


Confira questões resolvidas sobre o Uso das Aspas:

1) (FCC) – Elefantes são herbívoros tranquilos. Sem predadores naturais, só recorrem à violência quando se sentem ameaçados. Nos últimos anos, no entanto, ficaram mais agressivos e os ataques fatais a pessoas, animais e outros elefantes tornaram- se mais frequentes. Em certas partes da Ásia e da África, eles investem contra carros, casas e, às vezes, vilas inteiras, sem ser provocados. No mês passado, um turista inglês que fazia um safári na reserva florestal do Quênia foi pisoteado até a morte por um elefante, quando saiu do carro para apreciar a natureza. Um paquiderme invadiu uma casa na ilha de Sumatra, na Indonésia, agarrou um morador com a tromba e o matou. “Tromba não é arma. Normalmente é usada apenas para segurar alimentos e galhos”, diz a psicóloga americana Isabel Bradshaw, especialista em elefantes. “O que está ocorrendo é algo totalmente fora dos padrões.”
Após estudar manadas na Ásia e na África, ela concluiu que a mudança de comportamento se deve ao colapso da estrutura familiar dos elefantes, ocasionado pela caça aos animais mais velhos e pela redução das reservas de vida selvagem nas últimas décadas. Ela afirma que a espécie sofre de um distúrbio psicológico bem conhecido entre os seres humanos, o stress pós-traumático, que deixa esses animais propensos à depressão e à agressividade excessiva.
Um estudo recente mostrou que os elefantes são capazes de reconhecer a própria imagem no espelho. A experiência coloca o paquiderme no reduzido grupo de animais com autoconsciência, que inclui o homem, o chimpanzé e o golfinho. Uma manada de elefantes é um grupo coeso, em que cada membro está estreitamente ligado aos demais. O sistema de comunicação dentro do grupo, com vibrações no solo, vocalizações e movimentos com o corpo, é um dos mais complexos já observados entre animais. O conhecimento — como encontrar água ou se comportar dentro do grupo ? é transmitido entre as gerações. Os filhotes passam oito anos sob a tutela da mãe e também aprendem com tias, primas e, sobretudo, com a matriarca que lidera o grupo. Após esse período, os machos jovens se afastam para uma temporada de aventuras entre os machos adultos.
A matança indiscriminada fez a população mundial de elefantes cair. Os esforços de preservação conseguiram evitar a extinção desses mamíferos, mas não foram suficientes para impedir o desequilíbrio dos laços familiares. Não apenas caiu o número de matriarcas e de fêmeas mais velhas, como também o de machos adultos, cujo papel é manter os mais jovens na linha. Foram identificados vários grupos sem fêmeas adultas – não é surpresa que, nessas condições, os elefantes se comportem como jovens transviados.
(Adaptado de Duda Teixeira. Veja, 8 de novembro de 2006, p. 132-133)
“O que está ocorrendo é algo totalmente fora dos padrões.” (final do 1º parágrafo)
O emprego das aspas assinala, considerando-se o contexto,
a) continuidade da transcrição da fala de uma especialista no assunto.
b) frase que busca resumir as informações apresentadas no parágrafo.
c) introdução de comentário repetido, o que o torna desnecessário.
d) comentário inteiramente isolado no meio do assunto desenvolvido.
e) interrupção voluntária do assunto, para iniciar um novo parágrafo.

Ver resposta!
Resposta: A.
Resolução: As aspas são usadas para indicar a fala direta da especialista Isabel Bradshaw. A frase “O que está ocorrendo é algo totalmente fora dos padrões.” dá continuidade ao que ela já vinha dizendo anteriormente (“Tromba não é arma…”). Logo, não é um comentário do narrador, mas sim parte da mesma fala da especialista.

2) (Enem)
O ouro do século 21
Cério, gadolínio, lutécio, promécio e érbio; sumário, térbio e disprósio; hólmio, túlio e itérbio. Essa lista de nomes esquisitos e pouco conhecidos pode parecer a escalação de um time de futebol, que ainda teria no banco de reservas lantânio, neodímio, praseodímio, európio, escândio e ítrio. Mas esses 17 metais, chamados de terras-raras, fazem parte da vida de quase todos os humanos do planeta. Chamados por muitos de “ouro do século 21”, “elementos do futuro” ou “vitaminas da indústria”, eles estão nos materiais usados na fabricação de lâmpadas, telas de computadores, tablets e celulares, motores de carros elétricos, baterias e até turbinas eólicas. Apesar de tantas aplicações, o Brasil, dono da segunda maior reserva do mundo desses metais, parou de extraí-los e usá-los em 2002. Agora, volta a pensar em retomar sua exploração.
SILVEIRA, E. Disponível em: www.revistaplaneta.com.br. Acesso em: 6 dez. 2017 (adaptado).
As aspas sinalizam expressões metafóricas empregadas intencionalmente pelo autor do texto para
a) imprimir um tom irônico à reportagem.
b) incorporar citações de especialistas à reportagem.
c) atribuir maior valor aos metais, objeto da reportagem.
d) esclarecer termos científicos empregados na reportagem.
e) marcar a apropriação de termos de outra ciência pela reportagem.

Ver resposta!
Resposta: C.
Resolução: As expressões entre aspas — “ouro do século 21”, “elementos do futuro” e “vitaminas da indústria” — são metáforas usadas para valorizar as terras-raras, destacando sua importância estratégica e econômica. Esse recurso ajuda a enfatizar o valor desses metais.

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