
Confira questões resolvidas sobre os Conectivos:
1) (UFPB 2010) – No fragmento “A vida ganhou em qualidade, prorrogando a juventude, sem com isso perder os benefícios da longevidade bem-vinda […], a oração destacada expressa ideia de:
a) Condição
b) Consequência
c) Concessão
d) Comparação
e) CausaVer resposta!
Resolução: A oração acima traz a ideia de concessão. Ela indica que algo aconteceu (a vida ganhou em qualidade, prorrogando a juventude) sem que outro fato negativo ocorresse (perder os benefícios da longevidade)..
2) UERJ 2007
A terceira margem do rio (adaptado)
Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. (…) Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa. (…) Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez a alguma recomendação. (…) Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo – a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa. Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. (…) E nunca falou mais palavra, com pessoa alguma. Nós, também, não falávamos mais nele. Só se pensava. (…) Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio – pondo perpétuo. (…) E ele? Por quê? Devia de padecer demais.
(ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1985.)
“De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio – pondo perpétuo.” “Se o meu pai, sempre fazendo ausência” apresenta o seguinte valor argumentativo em relação ao fragmento anterior:
a) Causa
b) Comparação
c) Consequência
d) ExemplificaçãoVer resposta!
Resolução: A expressão destacada introduz a razão do sentimento de culpa do narrador. Ou seja, ele se sente culpado porque o pai permanecia ausente. Assim, o valor argumentativo é de causa.
3) (Enem-2010) – Os filhos de Anna eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte. Como um lavrador. Ela plantara as sementes que tinha na mão, não outras, mas essas apenas.
LISPECTOR, C. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
A autora emprega por duas vezes o conectivo mas no fragmento apresentado. Observando aspectos da organização, estruturação e funcionalidade dos elementos que articulam o texto, o conectivo mas
a) expressa o mesmo conteúdo nas duas situações em que aparece no texto.
b) quebra a fluidez do texto e prejudica a compreensão, se usado no início da frase.
c) ocupa posição fixa, sendo inadequado seu uso na abertura da frase.
d) contém uma ideia de sequência temporal que direciona a conclusão do leitor.
e) assume funções discursivas distintas nos dois contextos de uso.Ver resposta!
Resolução: A alternativa correta é a e) porque o “mas” tem sentidos diferentes no texto. No primeiro caso, indica oposição: apesar do calor e das dificuldades, tinha tranquilidade. No segundo, serve para corrigir/especificar a ideia anterior: ela não plantou outras sementes, e sim aquelas que tinha.
4) (PUC-SP) – Assinale a alternativa que possa substituir, pela ordem, as partículas de transição dos períodos abaixo, sem alterar o significado delas.
“Em (primeiro lugar), observemos o avô. (Igualmente), lancemos um olhar para a avó. (Também) o pai deve ser observado. Todos são altos e morenos. (Consequentemente), a filha também será morena e alta.”
a) primeiramente, ademais, além disso, em suma
b) acima de tudo, também, analogamente, finalmente
c) primordialmente, similarmente, segundo, portanto
d) antes de mais nada, da mesma forma, por outro lado, por conseguinte
e) sem dúvida, intencionalmente, pelo contrário, com efeito.Ver resposta!
Resolução:
• “antes de mais nada” = “em primeiro lugar”
• “da mesma forma” = “igualmente”
• “por outro lado” mantém a ideia de acréscimo/continuidade no contexto
• “por conseguinte” = “consequentemente”
5) (Marinha – 2025) – Em: “Mas, ao observar quais os discos estrangeiros |…]” (3° §), a palavra destacada pode ser substituída, sem alterar o sentido do texto, por:
a) então.
b) no entanto.
c) por isso.
d) além disso.
e) aliás.Ver resposta!
Resolução: A palavra “mas” indica ideia de oposição/contraste, e “no entanto” pode substituí-la sem mudar o sentido da frase.
6) (FUMARC – 2011. Adaptada.) – No enunciado, lê-se: “A língua que falamos é um bem, se considerarmos “bens” “as coisas úteis ao homem”. O termo negritado, segundo Cunha e Cintra (2009), tem o valor de um (a):
a) construção linguística que apresenta relação causal.
b) sintagma com sentido opinativo, que apresenta uma relação comparativa.
c) conectivo com valor de condição, pois indica uma hipótese.
d) vocábulo gramatical que serve para adicionar uma ideia à outra.
e) Trata-se de uma próclise.Ver resposta!
Resolução: O termo “se” funciona como uma conjunção subordinativa condicional, introduzindo uma condição/hipótese.
7) Unicamp 2022

Reshpī é o adorno usado no nariz, feito de aruá e com linha de tucum, e que atravessa o septo. Na cultura Marubo, ela é usada por homens, mulheres e crianças e tem um significado espiritual, pois é por meio dela que após a nossa morte seremos guiados para o encontro com nossos ancestrais que estão à nossa espera.
Reshpī é um adereço milenar e tradicional, simboliza nossa essência e é parte do nosso ser enquanto povo marubo, ____________ não é produzido para venda nem pode ser usado como apropriação cultural.
(Adaptado do story Reshpī de Kena Marubo. Disponível em https://www.instagram.com/kena_marubo/. Acessado em 02/08/2022.)
Tendo em vista as informações sobre o Reshpī, a lacuna no segundo parágrafo deve ser preenchida com
a) contudo.
b) porque.
c) portanto.
d) enquanto.Ver resposta!
Resolução: A alternativa correta é a letra c) “portanto”, porque essa palavra estabelece uma ideia de conclusão: o texto afirma que o Reshpī é um adorno sagrado, tradicional e parte da identidade do povo Marubo; logo, conclui-se que ele não é produzido para venda nem deve ser usado como apropriação cultural.
8) (PUC-SP) – Em: “… ouviam-se amplos bocejos, fortes como o marulhar das ondas…” a partícula como expressa uma ideia de:
a) comparação
b) causa
c) explicação
d) conclusão
e) proporçãoVer resposta!
Resolução: O “como” expressa uma ideia de comparação, porque a expressão “fortes como o marulhar das ondas” compara a intensidade dos bocejos ao som das ondas do mar; assim, é introduzida uma comparação.
9) (Fuvest-SP) “Que não pedes um diálogo de amor, é claro, desde que impões a cláusula da meia-idade.” O segmento destacado poderia ser substituído, sem alteração do sentido da frase, por:
a) desde que imponhas.
b) se bem que impões.
c) contanto que imponhas.
d) conquanto imponhas.
e) porquanto impões.Ver resposta!
Resolução: Nesse caso não se deve interpretar o “desde que” como condição (valor mais comum em linguagem cotidiana), mas como causa, em uso mais literário/argumentativo: a ideia do trecho é que “não pedes um diálogo de amor” porque impões a cláusula da meia-idade. “Porquanto” (conjunção causal) mantém o sentido.
10) ENEM 2016 – O senso comum é que só os seres humanos são capazes de rir. Isso não é verdade? Não. O riso básico — o da brincadeira, da diversão, da expressão física do riso, do movimento da face e da vocalização — nós compartilhamos com diversos animais. Em ratos, já foram observadas vocalizações ultrassônicas — que nós não somos capazes de perceber — e que eles emitem quando estão brincando de “rolar no chão”. Acontecendo de o cientista provocar um dano em um local específico no cérebro, o rato deixa de fazer essa vocalização e a brincadeira vira briga séria. Sem o riso, o outro pensa que está sendo atacado. O que nos diferencia dos animais é que não temos apenas esse mecanismo básico. Temos um outro mais evoluído. Os animais têm o senso de brincadeira, como nós, mas não têm senso de humor. O córtex, a parte superficial do cérebro deles, não é tão evoluído como o nosso. Temos mecanismos corticais que nos permitem, por exemplo, interpretar uma piada.
Disponível em: http://globonews.globo.com. Acesso em: 31 maio 2012 (adaptado).
A coesão textual é responsável por estabelecer relações entre as partes do texto. Analisando o trecho “Acontecendo de o cientista provocar um dano em um local específico no cérebro”, verifica-se que ele estabelece com a oração seguinte uma relação de
a) finalidade, porque os danos causados ao cérebro têm por finalidade provocar a falta de vocalização dos ratos.
b) oposição, visto que o dano causado em um local específico no cérebro é contrário à vocalização dos ratos.
c) condição, pois é preciso que se tenha lesão específica no cérebro para que não haja vocalização dos ratos.
d) consequência, uma vez que o motivo de não haver mais vocalização dos ratos é o dano causado no cérebro.
e) proporção, já que à medida que se lesiona o cérebro não é mais possível que haja vocalização dos ratos.Ver resposta!
Resolução: A continuação do texto (“o rato deixa de fazer essa vocalização…”) depende dessa situação anterior. Então a ideia é: se houver lesão naquela parte do cérebro, então ocorre a mudança no comportamento do rato. Por isso, a relação entre as partes é de condição: uma coisa precisa acontecer para a outra acontecer junto.
