Interpretação de Texto


Confira questões resolvidas sobre a Interpretação de Texto:

1) (Enem – 2012)
A substituição do haver por ter em construções existenciais, no português do Brasil, corresponde a um dos processos mais característicos da história da língua portuguesa, paralelo ao que já ocorrera em relação à aplicação do domínio de ter na área semântica de “posse”, no final da fase arcaica.
Mattos e Silva (2001:136) analisa as vitórias de ter sobre haver e discute a emergência de ter existencial, tomando por base a obra pedagógica de João de Barros. Em textos escritos nos anos quarenta e cinquenta do século XVI, encontram-se evidências, embora raras, tanto de ter “existencial”, não mencionado pelos clássicos estudos de sintaxe histórica, quanto de haver como verbo existencial com concordância, lembrado por Ivo Castro, e anotado como “novidade” no século XVIII por Said Ali.
Como se vê, nada é categórico e um purismo estreito só revela um conhecimento deficiente da língua. Há mais perguntas que respostas. Pode-se conceber uma norma única e prescritiva? É válido confundir o bom uso e a norma com a própria língua e dessa forma fazer uma avaliação crítica e hierarquizante de outros usos e, através deles, dos usuários? Substitui-se uma norma por outra?
CALLOU, D. A propósito de norma, correção e preconceito linguístico: do presente para o passado, In: Cadernos de Letras da UFF, n.° 36, 2008. Disponível em: www.uff.br. Acesso em: 26 fev. 2012 (adaptado).
Para a autora, a substituição de “haver” por “ter” em diferentes contextos evidencia que
a) o estabelecimento de uma norma prescinde de uma pesquisa histórica.
b) os estudo clássicos de sintaxe histórica enfatizam a variação e a mudança na língua.
c) a avaliação crítica e hierarquizante dos usos da língua fundamenta a definição da norma.
d) a adoção de uma única norma revela uma atitude adequada para os estudos linguísticos.
e) os comportamentos puristas são prejudiciais à compreensão da constituição linguística.

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Resposta: E.
Resolução:
O texto mostra que a substituição de haver por ter não é um erro, mas um fenômeno histórico e natural da língua, já observado desde o século XVI. A autora destaca que “nada é categórico” e critica o “purismo estreito”, afirmando que ele revela desconhecimento da língua. Assim, ela defende que a língua é dinâmica e que julgamentos rígidos (puristas) atrapalham a compreensão de sua evolução e funcionamento.

2) ENEM

WILL. Disponível em: www.willtirando.com.br. Acesso em: 7 nov. 2013.
Opportunity é o nome de um veículo explorador que aterrissou em Marte com a missão de enviar informações à Terra.A charge apresenta uma crítica ao(à)
a) gasto exagerado com o envio de robôs a outros planetas.
b) exploração indiscriminada de outros planetas.
c) circulação digital excessiva de autorretratos.
d) vulgarização das descobertas espaciais.
e) mecanização das atividades humanas.

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Resposta: C.
Resolução:
A crítica não é à exploração espacial em si, mas ao hábito exagerado de produzir e divulgar autorretratos nas redes sociais, projetando esse comportamento humano até mesmo em um robô em outro planeta.

3) CS UFG 2016

O recurso linguístico empregado para produzir o efeito de humor da tira é a
a) metonímia.
b) inferência.
c) metáfora
d) citação.

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Resposta: A.
Resolução:
Na tira, o mendigo pede um “espetinho”, usando a palavra para se referir ao alimento (carne), mas a criança entende como o objeto físico (o palito). Isso caracteriza metonímia, mais especificamente a relação instrumento/objeto associado.

4) PUC-SP 2015
A um crítico
Meu caro crítico,
Algumas páginas atrás, dizendo eu que tinha cinquenta anos, acrescentei: “Já se vai sentindo que o meu estilo não é tão lesto como nos primeiros dias.” Talvez aches esta frase incompreensível, sabendo-se o meu estado atual; mas eu chamo a tua atenção para a sutileza daquele pensamento. O que eu quero dizer não é que esteja agora mais velho do que quando comecei o livro. A morte não envelhece. Quero dizer, sim, que em cada fase da narração da minha vida experimento a sensação correspondente. Valha-me Deus! É preciso explicar tudo.
O texto acima constitui um capítulo inteiro da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Considerando seu conteúdo e o todo do romance, é correto afirmar que o texto
a) apresenta linguagem com função dominantemente metalinguística, já que o narrador retoma uma afirmação anterior e a explicita para melhor entendimento do leitor.
b) apresenta um narrador que se dirige à crítica, estabelecendo um diálogo com ela, em procedimento narrativo excepcional, já que evita se relacionar com o leitor ao longo da obra
c) emprega a técnica do capítulo curto, fugindo ao estilo narrativo da obra que se faz regularmente com capítulos longos e enfadonhos.
d) alude à condição de defunto autor para justificar os tropeços de seu texto e o descompasso com a realidade
e) marca-se por linguagem puramente referencial já que o narrador transmite um conhecimento linguístico a partir de um contexto existencial

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Resposta: A.
Resolução:
O trecho mostra um exemplo de função metalinguística da linguagem ao trazer o narrador comentando o próprio discurso, retomando uma afirmação anterior sobre seu estilo e explicando-a ao leitor/crítico, refletindo sobre o processo de escrita e sobre a construção do texto. Isso é uma marca central da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, caracterizada pelo diálogo constante com o leitor e pela autorreflexão narrativa.

5) Unicamp 2021
GÊNESIS (INTRO)
Deus fez o mar, as árvore, as criança, o amor
O homem me deu a favela, o crack, a trairagem
As arma, as bebida, as puta
Eu?
Eu tenho uma Bíblia velha, uma pistola automática
Um sentimento de revolta
Eu tô tentando sobreviver no inferno
(Racionais Mc’s, Sobrevivendo no inferno. São Paulo: Companhia das Letras, 2018, p. 45.)
“Gênesis” é a segunda canção do álbum Sobrevivendo no Inferno. É antecedida pela invocação de uma outra canção, intitulada “Jorge da Capadócia”, de Jorge Ben.
É correto afirmar que as evocações dos elementos religiosos nesse álbum
a) legitimam a violência social a que estão submetidos os pobres.
b) dificultam a tomada de consciência da população negra.
c) articulam as esferas ética e estética da experiência humana na poesia.
d) dissimulam a hipocrisia moral das pessoas religiosas.

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Resposta: C.
Resolução:
No álbum Sobrevivendo no Inferno, dos Racionais MC’s, as referências religiosas — tanto de matriz afro-brasileira quanto cristã — não aparecem de forma gratuita, mas como parte essencial da construção poética e crítica do grupo. Elas participam simultaneamente da criação estética dos raps e da formulação de uma ética de vida periférica. Em um contexto marcado por miséria, violência e exclusão social, evidencia-se a ausência do Estado e a indiferença das instituições, revelando a falência das instâncias civis diante das populações marginalizadas. Assim, ao mesmo tempo em que constroem uma linguagem artística potente (estética), os Racionais elaboram uma reflexão sobre justiça, sobrevivência e dignidade (ética), o que confirma a articulação entre essas duas dimensões.

6) (UPF 2017)
O legado simbólico está garantido
Legado é uma palavra perigosa quando aplicada a 1eventos que alavancam o uso de dinheiro público em infraestrutura, pois é um substantivo futuro empregado como argumento para justificar gastos bilionários em obras. 2Numa cidade de um país em que as propinas vêm sendo regra em empreitadas que podem ruir ou se transformar em 3elefantes brancos, 4falar em legado material no finzinho de um evento é uma aposta no escuro.
Quando a 5Força Nacional e os esquemas especiais que fizeram o 6Rio parecer 7um modelo de cidadania e organização durante os 15 dias de 2016 8deixarem a cidade, o carioca vai cair na real e “no real”, no sentido lacaniano: as forças ocultas de nosso abismo vão continuar insistindo em “não se inscrever” na consciência que temos de seus resultados. 9A cidade, partida por algo monstruoso, subterrâneo, renascerá: UPPs na lona, milícias, violência policial, Estado falido e acéfalo, calamidade na saúde, a baía poluída.
10Há, contudo, um legado imaterial que, paradoxalmente, é mais fácil de ser constatado, aferido, e até comprovado desde já: 11o Rio, quando recursos são alocados para onde devem, pode 12ser a cidade que gostaria de ser. E sentimos 13esse gosto, como uma promoção por tempo determinado. O improviso desse exemplo, motivado por um dinheiro de exceção (do COI e das obras), trouxe para o carioca um espelho ideal de si mesmo, refletido em bilhões de televisores e monitores Brasil adentro e mundo afora.
14A não ser que algo ainda aconteça nessa segunda-feira que já amanheceu e segue o giro das 1524 horas finais da despedida, 16a experiência mágica da Olimpíada transcorreu sem acidentes especialmente graves, sem desmoronamentos, sem vexames organizacionais, sem mortes de atletas atacados por mosquitos, sem ondas descontroladas de assaltos ou violência e sem atentados terroristas.
17O “eu acredito” gritado nas competições flutuou também na esfera do acreditar na cidade, no país, um “Yes, we can” lastreado em histórias como a da judoca Rafaela: apesar do descaso do poder público, alguém pode sair da Cidade de Deus e ir morar no Olimpo por algumas temporadas. A fama de mais bela cidade do mundo se cristalizou, a gentileza e a amizade dos cariocas foi exaltada, a troca cultural foi intensa e frutífera. (…) O incidente dos banheiros australianos na Vila Olímpica terminou com o canguru de pelúcia na mão do prefeito, e teve alta simbologia: depois do susto, não se soube de outra delegação que reclamasse ostensivamente, e o canguru acabou como amuleto invertido do sucesso dos 18Jogos. 19A água verde de algumas piscinas acabou dando até um charme à paleta multicolorida do 20evento, apesar de alguns olhos irritados. De resto, as instalações funcionaram como uma caixinha de música, com muita música, por sinal.
O metrô (com a Linha 4 cercada de suspeitas inevitáveis), as filas de BRT com ônibus a cada 15 segundos, os trens, as passarelas: quem circulou não teve do que reclamar, não houve 21tumultos, pisoteamentos. Foi um bom exercício, mas atenção: a maquiagem termina hoje. Circulando, circulando, vamos saber. Mas não teve quebra-quebra nem hooligans (coisa de Eurocopa), a não ser, claro, 22a gangue mijona de nadadores americanos liderada por Ryan Lochte, o mané modelo dos Jogos.
Trapalhada que, aliás, pode ser considerada uma espécie de cereja no bolo do 23legado imaterial, e 24com alto poder marquetológico: o único 25assalto a atletas foi uma farsa de estrangeiros e, 26ainda que os seguranças do posto tenham agido de maneira não exatamente exemplar, 27o assunto virou top story em grandes redes de TV ianques, e a maior superpotência do planeta se curvou 28ao Brasil. (…)
29Paralelamente, outro atleta americano, Michael Phelps, em postagem no seu Twitter, disse já estar com saudades do Brasil, de seu povo, de sua beleza. 30Totalmente abrasileirado, Usain Bolt, na final do futebol, em que o Brasil conquistou o ouro contra a Alemanha, filmou o gol de falta de Neymar e deve ser tema de desfile de escola de samba ou convidado para desfilar em 2017. Na final do revezamento no Engenhão, o homem mais rápido do mundo, agora aposentado e desempregado, mostrou que já sabe sambar. (…)
31Bem mais tarimbado, outro profissional do “NYT”, o colunista e repórter Roger Cohen, que já viveu no Brasil dos anos 1980, escreveu um artigo apontando o que mudou de lá para cá (era correspondente durante o governo Sarney), a consciência que o país tem hoje de seus problemas e o esforço que vem fazendo para superar a corrupção endêmica. Ele 32se disse cansado de toda a aposta contra a realização a tempo das tarefas para os Jogos, da ladainha idealizada sobre a selva-Brasil, e, com fina ironia, reclamou de se culpar o Rio por não ter resolvido “todos os seus problemas sociais antes da Rio-2016”: “Há algo no mundo desenvolvido que não gosta de um país em desenvolvimento que organiza um evento esportivo de grande envergadura”, escreveu, terminando por dizer que não adianta: o Brasil será um dos atores principais do século XXI.
Num mundo em que tudo é marca, esse “algo” que busca excluir o Brasil do futuro foi bombardeado pelo 33sucesso da Rio-2016, que virou uma trademark não só de nossa visibilidade, mas de nossa viabilidade como cidade e como país. 34Este é o legado simbólico mais forte. É preciso, porém, que a vontade de potência seja acompanhada pela vontade política com um viés de vetor social. Do contrário, o ciclo de vida da nova marca será curto.
(BLOCH, Arnaldo. O legado simbólico está garantido. 22 de agosto de 2016. O Globo. Adaptado. Disponível em http://oglobo.globo.com/esportes/o-legado-simbolico-esta-garantido-19969374 . Acesso em 22 ago. 2016)
No texto, o autor fala sobre legado. Com relação às ideias defendidas a respeito do tema, é correto afirmar que:
a) Ao afirmar que “falar em legado material no finzinho de um evento é uma aposta no escuro” (ref.), o autor sugere que as obras realizadas não terão utilidade futura e se transformarão em “elefantes brancos” (ref. 3).
b) Ao se referir ao episódio envolvendo a mentira dos nadadores americanos, o autor defende que, como “legado imaterial” (ref. 23), ficará a constatação do fracasso do COI na organização das Olimpíadas.
c) O legado deixado ao Rio é o de que a cidade se tornou um “modelo de cidadania e organização” (ref. 7).
d) O legado simbólico deixado pela Rio-2016 está na imagem positiva que o Brasil deixou ao mundo, fortalecida pelo “sucesso da Rio-2016” (ref. 33) e por exemplos de ações que deram certo.
e) Ao se referir às alterações ocorridas desde o governo Sarney até agora e ao mencionar a solução dos problemas sociais no Brasil (ref. 31), o autor infere que o legado está no progresso que marcou o país nesse período.

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Resposta: D.
Resolução:
A alternativa correta é letra D, porque o texto contrapõe o legado material ao legado imaterial/simbólico, que é valorizado como o principal resultado dos Jogos, destacando que o “sucesso da Rio-2016” projetou uma imagem positiva do Brasil no cenário internacional, reforçada pela boa organização, pela repercussão na mídia estrangeira e por exemplos de experiências bem-sucedidas, de modo que esse reconhecimento externo consolida a ideia de um legado ligado à visibilidade e à credibilidade do país.

7) (Fuvest) – O Ministério da Fazenda descobriu uma nova esperteza no Instituto de Resseguros do Brasil. O Instituto alardeou um lucro no primeiro semestre de 3,1 bilhões de cruzeiros, que esconde na verdade um prejuízo de 2bi. Brasil, Cuba e Costa Rica são os três únicos países cujas empresas de resseguro são estatais.
(“Veja”, 1/9/93, pág. 31)
Conclui-se do texto que seu autor:
a) acredita que a esperteza do Instituto de Resseguros gerou lucro e não prejuízo.
b) dá como certo que o prejuízo do Instituto é maior do que o lucro alardeado.
c) julga que o Instituto de Resseguros agiu de boa fé.
d) dá a entender que é contrário ao fato de o Instituto de Resseguros ser estatal.
e) tem informação de que em Cuba e na Costa Rica os institutos de resseguros camuflam seus prejuízos.

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Resposta: D.
Resolução: Ao destacar que Brasil, Cuba e Costa Rica são os únicos países com resseguradoras estatais logo após denunciar a “esperteza” do instituto brasileiro, o autor do texto sugere uma crítica implícita ao modelo estatal, associando-o à falta de transparência e à manipulação de dados, o que indica posicionamento contrário à estatalização desse tipo de empresa.a

8) (Unitau) – “Brás, Bexiga e Barra Funda”… tenta fixar tãosomente alguns aspectos da vida trabalhadeira, íntima e cotidiana desses novos mestiços nacionais e nacionalistas”. É dessa forma que Antonio de Alcântara Machado explica sua obra. Indique a alternativa que responde corretamente à nacionalidade referida pelo autor
a) aos ingleses.
b) aos italianos.
c) aos alemães.
d) aos portugueses.
e) aos índios.

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Resposta: B.
Resolução: A obra Brás, Bexiga e Barra Funda retrata o cotidiano dos imigrantes italianos e seus descendentes na cidade de São Paulo, especialmente nos bairros citados no título, evidenciando a formação desses “novos mestiços nacionais” a partir da integração entre a cultura italiana e a brasileira.

9) (Fuvest) – De acordo com o ditado popular “invejoso nunca medrou, nem quem perto dele morou”:
a) o invejoso nunca teve medo, nem amedronta seus vizinhos.
b) enquanto o invejoso prospera, seus vizinhos empobrecem.
c) o invejoso não cresce e não permite o crescimento dos vizinhos.
d) o temor atinge o invejoso e também seus vizinhos.
e) o invejoso não provoca medo nos seus vizinhos.

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Resposta: C.
Resolução: Esse ditado indica que o invejoso não prospera (“não medra”) e também prejudica aqueles ao seu redor, impedindo que cresçam, o que corresponde à ideia de que ele não evolui e ainda atrapalha o desenvolvimento dos vizinhos.

10) (ENEM-DIGITAL/2020-Adaptada) – Leia o texto a seguir.
Ponto morto
A minha primeira mulher
se divorciou do terceiro marido.
A minha segunda mulher
acabou casando com a melhor amiga dela.
A terceira (seria a quarta?)
detesta os filhos do meu primeiro casamento.
Estes, por sua vez, não suportam os filhos
do terceiro casamento da minha primeira mulher.
Confesso que guardo afeto pelas minhas ex-sogras.
Estava sozinho
quando um dos meus filhos acenou para mim no
meio do engarrafamento.
A memória demorou para engatar seu nome.
Por segundos, a vida parou em ponto morto.
MASSI, A. A vida errada. Rio de Janeiro: 7Letras, 2001.
No poema, a singularidade da situação representada é efeito da correlação entre
a) a dissipação das identidades e a circulação de sujeitos anônimos.
b) as relações familiares e a dinâmica da vida no espaço urbano.
c) a constatação da incomunicabilidade e a solidão humana.
d) o trânsito caótico e o impedimento à expressão afetiva.
e) os lugares de parentesco e o estranhamento social.

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Resposta: B.
Resolução: A alternativa correta é B, pois o poema relaciona a confusão das relações familiares com uma cena urbana (engarrafamento), mostrando que a dinâmica da vida na cidade contribui para o distanciamento entre as pessoas.

11) UFAM 2026 – A tirinha a seguir servirá de base para a questão.

Do ponto de vista do plano do conteúdo, é CORRETO afirmar que:
a) em momento algum o homem se dá conta de que sua insistente discordância é tratada pelo mestre como uma atitude de um idiota.
b) ao não responder verbalmente à discordância do homem, o mestre põe em prática o seu segredo de sabedoria e de paz interior.
c) ao não responder verbalmente à discordância do homem, o mestre indica que ele não gosta de ser contrariado.
d) o homem insiste em declarar que não concorda, porque imagina que o mestre tem algum grau de deficiência auditiva.
e) ao fazer um gesto de positivo, o mestre expressa sua aceitação em relação à discordância do homem.

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Resposta: B.
Resolução: O mestre afirma que o segredo é “não discutir com idiotas”. Quando o homem insiste em discordar, o mestre não entra em discussão e apenas faz um gesto, aplicando na prática o que disse. Isso mostra coerência entre sua fala e sua atitude.

12) Enem 2024
Expressões e termos utilizados no Amazonas são retratados em livro e em camisetas
“Na linguagem, podemos nos ver da forma mais verdadeira: nossas crenças, nossos valores, nosso lugar no mundo”, afirmou o doutor em linguística e professor da Ufam em seu livro Amazonês: expressões e termos usados no Amazonas. Portanto, o amazonense, com todas as suas “cunhantãs” e “curumins”, acaba por encontrar um lugar no mundo e formar uma unidade linguística, informalmente denominada de português “caboco”, que muito se diferencia do português “mineiro”, “gaúcho”, “carioca” e de tantos outros espalhados pelo Brasil. O livro, que conta com cerca de 1100 expressões e termos típicos do falar amazonense, levou dez anos para ser construído. Para o autor, o principal objetivo da obra é registrar a linguagem. Um designer amazonense também acha o amazonês “xibata”, tanto é que criou uma série de camisetas estampadas com o nome de Caboquês Ilustrado, que mistura o bom humor com as expressões típicas da região. A coleção conta com sete modelos já lançados, entre eles: Leseira Baré, Xibata no Balde e Até o Tucupi, e 43 ainda na fila de espera. Para o criador, as camisas têm como objetivo “resgatar o orgulho do povo manauara, do povo do Norte”.
Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 15 jan. 2024 (adaptado).
A reportagem apresenta duas iniciativas: o livro Amazonês e as camisetas do Caboquês Ilustrado. Com temática em comum, essas iniciativas
a) recomendam produtos feitos por empreendedores da região Norte.
b) ressaltam diferenças entre o falar manauara e outros falares.
c) reverenciam o trabalho feito por pesquisadores brasileiros.
d) destacam a descontração no jeito de ser do amazonense.
e) valorizam o repertório linguístico do povo do Amazonas.

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Resposta: E.
Resolução: Tanto o livro quanto as camisetas têm como objetivo registrar, divulgar e valorizar as expressões típicas da região, reforçando a identidade linguística e cultural do povo amazonense.

13) Enem

Dia do Músico, do Professor, da Secretária, do Veterinário… Muitas são as datas comemoradas ao longo do ano e elas, ao darem visibilidade a segmentos específicos da sociedade, oportunizam uma reflexão sobre a responsabilidade social desses segmentos. Nesse contexto, está inserida a propaganda da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em que se combinam elementos verbais e não verbais para se abordar a estreita relação entre imprensa, cidadania, informação e opinião. Sobre essa relação, depreende-se do texto da ABI que,
a) para a imprensa exercer seu papel social, ela deve transformar opinião em informação.
b) para a imprensa democratizar a opinião, ela deve selecionar a informação.
c) para o cidadão expressar sua opinião, ele deve democratizar a informação.
d) para a imprensa gerar informação, ela deve fundamentar-se em opinião.
e) para o cidadão formar sua opinião, ele deve ter acesso à informação.

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Resposta: E.
Resolução: A propaganda reforça que a imprensa tem papel social de fornecer informação, pois é a partir dela que o cidadão consegue exercer plenamente sua cidadania e formar opiniões conscientes.

14) (USP)
O feminismo negro não é uma luta meramente identitária, até porque branquitude e masculinidade também são identidades. Pensar feminismos negros é pensar projetos democráticos. Hoje afirmo isso com muita tranquilidade, mas minha experiência de vida foi marcada pelo incômodo de uma incompreensão fundamental. Não que eu buscasse respostas para tudo. Na maior parte da minha infância e adolescência, não tinha consciência de mim. Não sabia por que sentia vergonha de levantar a mão quando a professora fazia uma pergunta já supondo que eu não saberia a resposta. Por que eu ficava isolada na hora do recreio. Por que os meninos diziam na minha cara que não queriam formar par com a “neguinha” na festa junina. Eu me sentia estranha e inadequada, e, na maioria das vezes, fazia as coisas no automático, me esforçando para não ser notada.
Djamila Ribeiro, Quem tem medo do feminismo negro?
O trecho que melhor define a “incompreensão fundamental” referida pela autora é:
a) “não que eu buscasse respostas para tudo”.
b) “não tinha consciência de mim”.
c) “Por que eu ficava isolada na hora do recreio”.
d) “me esforçando para não ser notada”.
e) “sentia vergonha de levantar a mão”.

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Resposta: B.
Resolução: A “incompreensão fundamental” citada pela autora diz respeito a uma falta de entendimento sobre si mesma, sobre sua identidade e sobre os motivos das situações que vivia. O trecho “não tinha consciência de mim” expressa exatamente essa ausência de autoconsciência, que é a base dessa incompreensão.

15) VUNESP 2026 – Certo dia, o presidente Roosevelt disse-me que estava pedindo sugestões, publicamente, sobre como se deveria chamar esta guerra. Retruquei de pronto: “a Guerra Desnecessária”. Nunca houve guerra mais fácil de impedir do que esta que acaba de destroçar o que restava do mundo após o conflito anterior. A tragédia humana atinge seu clímax no fato de que, após todos os esforços e sacrifícios de centenas de milhões de pessoas, e após as vitórias da Boa Causa, ainda não encontramos Paz ou Segurança e estamos sujeitos a perigos ainda maiores do que aqueles que superamos. (Winston S. Churchill. Memórias da Segunda Guerra Mundial, 2017.)
Escrito em 1948 por Winston Churchill, ministro britânico durante a Segunda Guerra Mundial, o excerto mostra
a) o ceticismo sobre a derrota dos exércitos nazistas.
b) o pessimismo em relação à resolução dos conflitos europeus.
c) a incredulidade acerca da força do militarismo soviético.
d) a descrença na capacidade humana de realizar guerras.
e) a esperança no papel da diplomacia para evitar guerras na Europa.

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Resposta: B.
Resolução: No enxerto, Churchill afirma que a guerra foi “desnecessária” e que, mesmo após sacrifícios e vitórias, não se alcançou paz nem segurança, além de ainda existirem perigos maiores. Isso nos traz uma visão pessimista sobre a capacidade de resolver os conflitos, especialmente no contexto europeu do pós-guerra.

16) VUNESP 2026

Na tira, as férias se apresentam como
a) uma necessidade fácil de satisfazer.
b) um pedido que foi atendido.
c) uma experiência negativa.
d) uma possibilidade garantida de descanso.
e) um desejo não realizado.

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Resposta: E.
Resolução: Na tira acima, há uma progressão: “quero férias” → “preciso de férias” → “adoraria férias” → “o que são férias?”. Portanto, o personagem nunca chega a ter férias, a ponto de esquecer o que elas são. Ou seja, as férias aparecem como algo desejado, mas não concretizado, reforçando a ideia de um desejo não realizado.

17) (ACAFE – 2021)

Texto 1
Produção industrial cai 0,3% de junho para julho

A produção industrial brasileira teve queda de 0,3% na passagem de junho para julho deste ano, o terceiro resultado negativo consecutivo. A perda acumulada no período chega a 1,2%, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada hoje (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A produção teve queda ainda maior na comparação com julho do ano passado (-2,5%). A indústria também acumula recuos de 1,7% neste ano e de 1,3% em 12 meses.
Entre as grandes categorias econômicas, a queda de junho para julho foi puxada pelos bens de capital, isto é, as máquinas e equipamentos (-0,3%), e pelos bens intermediários – os insumos industrializados usados no setor produtivo (-0,5%).
Por outro lado, os bens de consumo tiveram alta no período e evitaram um desempenho pior da indústria no mês. Os bens semi e não duráveis cresceram 1,4% no período, enquanto os bens duráveis avançaram 0,5%.
Onze das 26 atividades industriais tiveram queda na passagem de junho para julho, com destaque para outros produtos químicos (-2,6%), bebidas (-4,0%) e produtos alimentícios (-1%).
Entre as 15 atividades com crescimento, o principal destaque ficou com as indústrias extrativas, que tiveram alta de 6%.

Fonte: Economia – iG. Disponível em: https://economia.ig.com.br/empresas/industria/2019-09-03/producao-industrial-no-brasil-cai-0-djunho-para-julho.html. Publicado em 03 de set. 2019. Acesso em 25 set. 2019 [Fragmento adaptado].

Em relação ao que se afirma no texto, assinale a alternativa correta.
a) Como a produção industrial brasileira teve queda de 0,3% na passagem de junho para julho em 2019, o acumulado de queda nos últimos doze meses foi de 1,2%, de acordo com o IBGE.
b) Apesar de o número de atividades industriais com crescimento positivo ser maior do que 50%, na média geral o crescimento industrial no Brasil, na passagem de junho para julho do ano de 2019, foi negativo.
c) A queda de junho para julho foi puxada pelos bens de consumo, confirma o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
d) Entre as atividades industriais pesquisadas, os bens semi e não duráveis foram os que mais cresceram no período.

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Resposta: B.
Resolução: De acordo com os dados do IBGE dessa competência, a maior parte das atividades industriais pesquisadas (15 de 26 atividades = mais de 50%) registrou crescimento positivo. Contudo, o peso das atividades que recuaram fez com que a média geral do índice fechasse em queda de -0,3% na passagem mensal.

18) (ENEM/2020) – Chiquito tinha quase trinta quando conheceu Mariana num baile de casamento na Forquilha, onde moravam uns parentes dele. Por lá foi ficando, remanchando. Fez mal à moça, como costumavam dizer, tiveram de casar às pressas. Morou uns tempos com o sogro, descombinaram. Foi só conta de colher o milho e vender. Mudou pra casa do velho Chico Lourenço [seu pai]. Fumaça própria só viu subir um par de anos depois, quando o pai repartiu as terras. De tão parecidos, pai e filho nunca combinaram direito. Cada qual mais topetudo, muitas vezes dona Aparecida ouvia o marido reclamar da natureza forte do filho. Ela escutava com paciência e respondia dum jeito sempre igual:
— “Quem herda, não rouba”.
Vinha um brilho nos olhos, o velho se acalmava.
ROMANO, O. Casos de Minas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.
Os ditados populares são frases de sabedoria criadas pelo povo, utilizadas em várias situações da vida. Nesse texto, a personagem emprega um ditado popular com a intenção de:
a) criticar a natureza forte do filho.
b) justificar o gênio difícil de Chiquito.
c) legitimar o direito do filho à herança.
d) conter o ânimo violento de Chico Lourenço.
e) condenar a agressividade do marido contra o filho.

Ver resposta!
Resposta: B.
Resolução: O ditado “Quem herda, não rouba” é usado por dona Aparecida para explicar que o filho herdou o temperamento forte do pai. Ou seja, ela não critica, mas justifica o comportamento de Chiquito como algo natural, herdado.

19) (Enem 2017)

DAHMER, A. Disponível em: www.malvados.com.br.
Importantes recursos de reflexão e crítica próprios do gênero textual, esses quadrinhos possibilitam pensar sobre o papel da tecnologia nas sociedades contemporâneas, pois:
a) indicam a solidão existencial dos usuários das redes sociais virtuais.
b) criticam a superficialidade das relações humanas mantidas pela internet.
c) retratam a dificuldade de adaptação de pessoas mais velhas às relações virtuais.
d) ironizam o crescimento da conexão virtual oposto à falta de vínculos reais entre as pessoas.
e) denunciam o enfraquecimento das relações humanas nos mundos virtual e real contemporâneos.

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Resposta: D.
Resolução: A tirinha de Dahmer ironiza o fato de haver bilhões de pessoas conectadas pela internet enquanto o personagem ignora quem está ao seu lado, evidenciando o contraste entre a grande conexão virtual e a falta de vínculos reais.

20) ENEM
TEXTO I
Criatividade em publicidade: teorias e reflexões Resumo: O presente artigo aborda uma questão primordial na publicidade: a criatividade. Apesar de aclamada pelos departamentos de Criação das agências, devemos ter a consciência de que nem todo anúncio é, de fato, criativo. A partir do resgate teórico, no qual os Conceitos são tratados à luz da publicidade, busca-se estabelecer a compreensão dos temas. Para elucidar tais questões, é analisada uma campanha impressa da marca XXXX. As reflexões apontam que a publicidade criativa é essencialmente simples e apresenta uma releitura do cotidiano.
Depexe, S D. Travessias: Pesquisas em Educação, Cultura, Linguagem e Artes, n. 2, 2008.
TEXTO II

Os dois textos apresentados versam sobre o tema Criatividade. O Texto I é um resumo de Caráter Científico e o Texto II, uma homenagem promovida por um site de publicidade. De que maneira O Texto II exemplifica o conceito de criatividade em publicidade apresentado no Texto I?
a) Fazendo menção ao difícil trabalho das mães em criar seus filhos.
b) Promovendo uma leitura simplista do papel materno em seu trabalho de criar os filhos.
c) Explorando a polissemia do termo “criação”.
d) Recorrendo a uma estrutura linguística simples.
e) Utilizando recursos gráficos diversificados.

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Resposta: C.
Resolução: O Texto II usa a palavra “criação” com duplo sentido — tanto no sentido publicitário (ato de criar anúncios) quanto no sentido de criar filhos —, estabelecendo uma releitura simples e criativa do cotidiano, como define o Texto I, o que caracteriza a exploração da polissemia do termo.

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