Gêneros Narrativos


Confira questões resolvidas sobre os Gêneros Narrativos:

1) (Enem 2017) – Garcia tinha-se chegado ao cadáver, levantara o lenço e contemplara por alguns instantes as feições defuntas. Depois, como se a morte espiritualizasse tudo, inclinou-se e beijou-a na testa. Foi nesse momento que Fortunato chegou à porta. Estacou assombrado; não podia ser o beijo da amizade, podia ser o epílogo de um livro adúltero […].
Entretanto, Garcia inclinou-se ainda para beijar outra vez o cadáver, mas então não pôde mais. O beijo rebentou em soluços, e os olhos não puderam conter as lágrimas, que vieram em borbotões, lágrimas de amor calado, e irremediável desespero. Fortunato, à porta, onde ficara, saboreou tranquilo essa explosão de dor moral que foi longa, muito longa, deliciosamente longa.
ASSIS, M. A causa secreta. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 9 out. 2015.
No fragmento, o narrador adota um ponto de vista que acompanha a perspectiva de Fortunato. O que singulariza esse procedimento narrativo é o registro do(a):
a) indignação face à suspeita do adultério da esposa.
b) tristeza compartilhada pela perda da mulher amada.
c) espanto diante da demonstração de afeto de Garcia.
d) prazer da personagem em relação ao sofrimento alheio.
e) superação do ciúme pela comoção decorrente da morte.

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Resposta: D.
Resolução: O narrador acompanha a perspectiva de Fortunato principalmente no final, quando diz que ele “saboreou tranquilo essa explosão de dor moral”. Isso revela algo bem específico: Fortunato sente prazer ao ver o sofrimento de Garcia, o que é justamente o traço psicológico mais marcante da personagem no conto.

2) ENEM 2004
O jivaro
Um Sr. Matter, que fez uma viagem de exploração à América do Sul, conta a um jornal sua conversa com um índio jivaro, desses que sabem reduzir a cabeça de um morto até ela ficar bem pequenina. Queria assistir a uma dessas operações, e o índio lhe disse que exatamente ele tinha contas a acertar com um inimigo. O Sr. Matter:
― Não, não! Um homem, não. Faça isso com a cabeça de um macaco.
E o índio:
― Por que um macaco? Ele não me fez nenhum mal! (Rubem Braga)
O assunto de uma crônica pode ser uma experiência pessoal do cronista, uma informação obtida por ele ou um caso imaginário. O modo de apresentar o assunto também varia: pode ser uma descrição objetiva, uma exposição argumentativa ou uma narrativa sugestiva. Quanto à finalidade pretendida, pode-se promover uma reflexão, definir um sentimento ou tão somente provocar o riso.
Na crônica “O jivaro”, escrita a partir da reportagem de um jornal, Rubem Braga se vale dos seguintes elementos:

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Resposta: B.
Resolução: A crônica é construída a partir da reportagem de um jornal, ou seja, trata-se de informação colhida. O texto apresenta um pequeno episódio com diálogo e ironia, sem argumentação direta – isso caracteriza uma narrativa sugestiva. E o efeito principal é o humor irônico da situação (o índio se recusa a matar quem não lhe fez mal), ou seja, busca provocar o riso.

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